Havia acontecido mais um ataque, desta vez, haviam queimado um ônibus. Eu voltava pra casa e o 267 onde estava vazio. Em um certo ponto de ônibus, subiu um rapaz atordoado, sentou-se ao meu lado. Era maior que eu, devia ter uns dezessete anos, e eu tinha quinze.
- Você está bem? – eu perguntei.
- Estou. – disse ele, trêmulo.
- Tem certeza? – voltei a perguntar.
- Não, cara, eu não estou bem! – ele disse, como se estivesse desabafando. – Ficou sabendo do ônibus queimado na linha vermelha? Então, eu estava lá, eu coloquei a querosene. – disse ele mais baixo.
Eu me assustei, mas continuei como se nada tivesse acontecido, eu estava indo pra casa mais cedo, a prova de filosofia havia sido cancelada por culpa dos ataques a ônibus e carros.
- Mas, porque você fez isso? – perguntei.
- Porque o chefe me mandou. O chefe do tráfico disse que pra eu continuar vivo, eu devia participar dos atentados. Era pra eu estar mandando vocês saírem pra eu começar a colocar fogo. – estávamos chegando à Praça Seca e o ônibus parou num engarrafamento.
- Você realmente precisa disso? – Ele só me olhou.
- Preciso. Você não sabe a dificuldade que é você querer estudar e estar ligado ao tráfico, uma vez lá dentro, você nunca mais sai. – ele respondeu, com os olhos cheios de lágrimas.
Visivelmente, era um adolescente assim como eu, ele devia ter parado de estudar por conta do “trabalho”, se comunicava bem, falava como qualquer outro adolescente, não xingava, não abordava ninguém. O ônibus continuou seu caminho, e parou no sinal do Mato Alto.
- Não cara, você não precisa disso. Você pode pedir a ajuda da polícia. Eu garanto que eles não vão te prender, eu garanto isso. Se te prenderem, eu peço ajuda ao meu tio, ele é advogado. – eu disse, tentando ajudar.
- Não. Eu não posso. A pior coisa que eu faria seria me entregar pra polícia. Eles vão querer saber onde os bandidos estão.
Havia chego meu ponto, tive que descer me despedi dele e ele continuou o caminho. Neste dia, fiquei atento a todas as noticias, para ver se ele atacaria o ônibus realmente.
- História fictícia, na qual eu imaginei no 267 hoje, pensando: e se o 267 for o próximo? E se um cara entrar, sentar do meu lado e me dizer que eu tenho que mandar todo mundo descer pra ele queimar ônibus? Eu me veria em total desespero. Mano, essa guerra no Rio de Janeiro está me deixando maluco.
O pior de tudo? Uns ridículos no orkut criando comunidades do tipo “Tropa de Elite 3”, “GTA ao vivo, no Rio” ,“Tiro de Janeiro”. Eu só espero que os criadores não sejam os paulistas, sim aqueles da rede de saúde exemplar, criado por Martelo, ops Serra.
Depois de tudo isso, eu me sinto ainda satisfeito, pois nós temos uma força de segurança atuando desde ontem de manhã. Eles conseguiram expulsar os traficantes de uma comunidade, e agora estão trabalhando para expulsar de novo, só que agora é do Complexo do Alemão.
- bem gente, essa foi só pra mostrar o texto pequeno que eu fiz, e pra mostrar minha indignação com essa Guerra Carioca.
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